Muita gente nos pergunta sobre essa ligação entre os bonecos e a educação. Não é raro falarmos sobre esse assunto em oficinas, palestras ou workshops. Da mesma forma que nos perguntam de que maneira a criança se relaciona com os bonecos.
Para tentar elucidar um pouco o assunto, coloco aqui as respostas de algumas perguntas que nos foram feitas por uma estudante de Taubaté – SP. Como achei bem interessante, disponibilizo aqui.
1. O Teatro pode ser um instrumento para educar? De que forma?
Sim, claro. O teatro pode informar, formar e instruir da maneira mais simples e eficaz possível. Toda a magia do teatro pode falar à criança de uma forma direta, dentro de seu universo de imaginação. Participando como ator ou expectador, a criança pode experimentar situações e pensar sobre cada uma delas, assimilando de forma abrangente o conteúdo proveniente dessa experiência.
2.Como pode ser a aprendizagem de uma criança através de um espetáculo teatral?
Como o teatro fala diretamente ao universo da criança, através de sua fantasia, tudo o que é dito pode ser prontamente assimilado total ou parcialmente (pois aqui vamos ter em mente a idade da criança e a “qualidade” e o conteúdo do espetáculo). Então está aberto um caminho direto para um diálogo com esse “ser em constante formação”. O que se diz e o que se vê num espetáculo pode, dependendo de sua força literária ou plástica, proporcionar à criança uma reflexão sobre dado aspecto ou situação e ainda oferecer-lhe informações sobre um determinado assunto, aproveitando esse “caminho livre” que a fantasia proporcionou.
3. Já houve algum caso em que vocês perceberam, através do público, uma resposta de aprendizagem?
Pra saber disso com clareza precisaríamos de mais tempo com o nosso público, o que nem sempre é possível. No entanto, em muitos casos vemos que as crianças se “emocionam” com uma ou outra cena, e isso, para nós, é sinal de que a história tocou em algum “ponto” dentro dela. Com isso ela participou, vivenciou algo que pode gerar um aprendizado – dado o fato que tirará conclusões, pensará sobre aquilo ou falará com alguém a respeito – ou seja, estenderá a vivência para o campo da discussão e da conclusão de idéias.
Há outros casos que notamos a total atenção da platéia sobre algo que o personagem está dizendo e isso denota que ela está assimilando o que está sendo dito. O “quanto” ela vai assimilar daquilo vai depender de diversos fatores: idade, momento de vida, relação e educação familiar, dentre outras coisas.
Paralelamente aos espetáculos, o que posso dizer como experiência pessoal é sobre alguns trabalhos que fiz voluntariamente com alguns amigos. A pedido de algumas pessoas falei, por intermédio dos bonecos, com seus filhos sobre alguns problemas que estavam tendo: alimentação, higiene bucal, dentre outras. O que me disseram é que a partir daquele dia as coisas mudaram, não drasticamente, mas podia se ver um caminho à mudança de hábitos depois daquela “conversa”.