Nosso país é formado por diferentes culturas. Cada uma trouxe consigo a sua identidade e, com ela, todos os seus costumes, incluindo música, artes plásticas, enfim... toda a variedade de expressividade de um povo. Muitas delas foram transformadas e adaptadas a nossa gente, ou ao povo que se formou dessa “mistura” maravilhosa.
Os bonecos também vieram e acabaram sendo incorporados a nossa cultura. Encontraram no nordeste brasileiro uma abertura incrível para a sua difusão. Surgem então os “mamulengos”, cuja palavra deriva de “mãos molengas” e que tem um jeito realmente único em sua manipulação.
Mesmo não sendo dotados de uma técnica muito elaborada, são incrivelmente intuitivos. Parece até que são displicentemente manipulados, de forma “molenga” – daí então a origem do nome. Até hoje as apresentações dos mamulengos atraem um grande público. Eles foram incorporados à cultura local e os personagens ganharam características regionais.
No resto do país ele não obteve esse grande “impulso” para a inclusão em nosso dia a dia. Tornou-se apenas um divertimento caseiro e tímido.
Não muito longe dos tempos atuais, o teatro de bonecos começou a “brotar” novamente e a ocupar um lugar de destaque entre os artistas que buscavam uma nova linguagem para seus espetáculos e até mesmo descobrindo “afinidades” com essa arte remota.
Um outro exemplo é os Estados Unidos, país com uma história de teatro de bonecos muito antiga (ultrapassando os 300 anos). Pra citar: desde 1960, os bonecos possuem espaço na televisão norte-americana e são grandes recordes de audiência, como os Muppets , de Jim Hanson.
Retornando ao teatro, há poucos anos a mídia voltou a tomar ciência dessa manifestação e do impacto que ele causa em seu público, seja infantil ou adulto (pois público é sempre público, cada qual com sua peculiaridade e merecendo atenção, cuidado e respeito).
A divulgação dos espetáculos trouxe à tona essa nova/antiga maneira de fazer teatro e muita gente voltou sua atenção para este universo.
Surgiram grupos importantes no país, e hoje se destacam e se igualam a muitas outras companhias do mundo todo seja na confecção, técnica ou produção.
O que importa – para os bonequeiros, os atores do teatro de bonecos e todos os técnicos envolvidos – é a obra em si, o resultado que funciona como uma grande engrenagem. Ficar escondido, com máscaras pretas, quase sem expressão e com toda a atenção recaindo no boneco ao final não o faz se sentir um artista menor, mas sim alguém que cumpriu o seu papel “na” e “para” a arte.
Ainda hoje o teatro de bonecos está “estigmatizado” como um teatro menor. Não é raro alguém se referir ao trabalho do grupo como “teatro de bonequinhos”, mas ele tem força própria e está tomando o lugar que lhe é de direito – o de uma forma igual a qualquer outra de expressão e de manifestação artística de qualidade e importância.