Os bonecos no Brasil

"Os textos abaixo estão à disposição para consulta e divulgação. 
Porém, se for publicá-los, pedimos a especial gentileza de mencionar os créditos desse site." 
Márcio Pontes, Cia Polichinelo

Nosso país é formado por diferentes culturas. Cada uma trouxe consigo a sua identidade e, com ela, todos os seus costumes, incluindo música, artes plásticas, enfim... toda a variedade de expressividade de um povo. Muitas delas foram transformadas e adaptadas a nossa gente, ou ao povo que se formou dessa “mistura” maravilhosa. 


Os bonecos também vieram e acabaram sendo incorporados a nossa cultura. Encontraram no nordeste brasileiro uma abertura incrível para a sua difusão. Surgem então os “mamulengos”, cuja palavra deriva de “mãos molengas” e que tem um jeito realmente único em sua manipulação. Mesmo não sendo dotados de uma técnica muito elaborada, são incrivelmente intuitivos. Parece até que são displicentemente manipulados, de forma “molenga” – daí então a origem do nome. Até hoje as apresentações dos mamulengos atraem um grande público. Eles foram incorporados à cultura local e os personagens ganharam características regionais. 

No resto do país ele não obteve esse grande “impulso” para a inclusão em nosso dia a dia. Tornou-se apenas um divertimento caseiro e tímido. 

Não muito longe dos tempos atuais, o teatro de bonecos começou a “brotar” novamente e a ocupar um lugar de destaque entre os artistas que buscavam uma nova linguagem para seus espetáculos e até mesmo descobrindo “afinidades” com essa arte remota. 

Um outro exemplo é os Estados Unidos, país com uma história de teatro de bonecos muito antiga (ultrapassando os 300 anos). Pra citar: desde 1960, os bonecos possuem espaço na televisão norte-americana e são grandes recordes de audiência, como os Muppets , de Jim Hanson. 

Retornando ao teatro, há poucos anos a mídia voltou a tomar ciência dessa manifestação e do impacto que ele causa em seu público, seja infantil ou adulto (pois público é sempre público, cada qual com sua peculiaridade e merecendo atenção, cuidado e respeito). 

A divulgação dos espetáculos trouxe à tona essa nova/antiga maneira de fazer teatro e muita gente voltou sua atenção para este universo. Surgiram grupos importantes no país, e hoje se destacam e se igualam a muitas outras companhias do mundo todo seja na confecção, técnica ou produção. 

O que importa – para os bonequeiros, os atores do teatro de bonecos e todos os técnicos envolvidos – é a obra em si, o resultado que funciona como uma grande engrenagem. Ficar escondido, com máscaras pretas, quase sem expressão e com toda a atenção recaindo no boneco ao final não o faz se sentir um artista menor, mas sim alguém que cumpriu o seu papel “na” e “para” a arte. 

Ainda hoje o teatro de bonecos está “estigmatizado” como um teatro menor. Não é raro alguém se referir ao trabalho do grupo como “teatro de bonequinhos”, mas ele tem força própria e está tomando o lugar que lhe é de direito – o de uma forma igual a qualquer outra de expressão e de manifestação artística de qualidade e importância.

LEIA TAMBÉM:

Falando sobre Bonecos

Os bonecos no mundo

Algumas expressões e curiosidades

O teatro de bonecos, a criança e a educação

Coisas importantes para se saber e fazer

Links e vídeos