Os bonecos no mundo

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Márcio Pontes, Cia Polichinelo

Pra começar a falar sobre os bonecos é preciso primeiro entender a "alma" humana e seu grande "desejo" de tornar-se "Criador". Expressar-se sempre foi algo necessário para o homem e isso se deu de várias formas: o comportamento, os gestos, a fala, a escrita, e, é claro, as artes. Cada um de nós parece já ter nascido com (ou herdado de nossos antepassados) o dom de criar algo que expresse nossos sentimentos e emoções. Quem é que nunca tenteou escrever uns versinhos?

Pois bem... então, confeccionar bonecos parece também estar ligado a essa nossa vontade de criar e à necessidade de expressão.

É difícil precisar com exatidão quando foi que o boneco passou a fazer parte da nossa cultura. Acredita-se que os homens da caverna, em suas reuniões em volta da fogueira, brincavam com sombras na parede para entreter as crianças, e pode ter nascido aí um ancestral do teatro de bonecos.

Com o passar do tempo, cada região, mesmo que habitada por povos que não tinham a facilidade de comunicação entre si, acabou desenvolvendo a arte de confeccionar bonecos, que, a princípio, tinham designação e papel divinos. Estavam sempre relacionados à religião, ao sagrado, ao mitológico, como nos parece ser toda a arte em seu início. Confeccionados em diferentes tipos de materiais, cada um carregando consigo toda a cultura local, os bonecos tiveram uma grande importância para estes povos. Do sagrado à diversão popular houve um grande espaço de tempo.

Dizem que a Índia é a terra de origem dessa arte, embora haja relatos de bonecos em quase todas as civilizações antigas, especialmente na greco-romana. Cada povo adaptou os bonecos a uma maneira única de movimentá-los: fios, luvas, sombra, varas, entre outras.

Foi na Itália que se deu o surgimento do teatro de bonecos como o conhecemos hoje, e ele ocupou lugar de destaque durante muitos anos nas maiores casas de espetáculos da época.

Vale aqui lembrar que a literatura infantil e a consciência de que havia uma necessidade de se tratar a criança como um “ser em formação” e não como um “adulto em miniatura” só se desenvolveu há pouco tempo. Os espetáculos produzidos eram destinados apenas ao público adulto. Só passou a ser direcionado ao público infantil muito tempo depois, como veremos em breve. 

Exatamente por não terem a capacidade de mudar de expressão como os atores, os bonecos precisam ser “tipos” ou “caricaturas” que mostrem logo “de cara” a sua personalidade. A Itália foi buscar esses “tipos” na Commédia Del Art, a trupe de artistas mambembes, geralmente composta por famílias inteiras e que utilizavam máscaras em suas apresentações. E foi mesmo graças a estas companhias itinerantes que os bonecos se espalharam pela Europa. 

Com o passar do tempo os bonecos, na sua forma atual, surgiram em todo o mundo, sendo que cada região acabou adaptando o teatro à sua maneira de representá-lo. Desta forma, ganhamos essa maravilhosa gama de técnicas e formas de fazer o teatro de bonecos. 

Durante anos, o teatro de bonecos reinou absoluto como uma maravilhosa atração em importantes teatros . Suas requintadas montagens lotavam as casas de espetáculos e incluíam, em seu repertório, Óperas de Mozart e outras obras importantes. Com a chegada do cinema, o teatro de bonecos começou a entrar em declínio. As grandes companhias já não tinham mais tanto público, que era atraído pelas obras cinematográficas da época. 

Foi nesse momento que o teatro passou a ter um novo público: a criança... E acabou ficando “estigmatizado”, fadado a percorrer sempre essa trilha. 

Algumas companhias ainda se mantiveram ativas, mas precariamente. Muitas delas viram nesse novo público a única possibilidade de manter seu trabalho. 

Aqui vale um “parênteses” pessoal: mesmo voltando-se ao público infantil, as companhias mantinham todo o cuidado e zelo com o que produziam. Valiam-se da ideologia, do amor ao seu trabalho para as montagens. Infelizmente, hoje, vemos muitos grupos que distorcem essa idéia e fazem do teatro de bonecos um verdadeiro caça-níquel... o que é uma pena e em nada tem a ver com essa mudança de público da época sobre a qual estamos falando. 

Voltando à história: o cinema ocupou o gosto popular e o teatro de bonecos começou a perder importância. Talvez esteja aí a razão dos artistas acharem que o teatro de bonecos é uma arte menor. Como humanos, somos muito volúveis... 

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