O teatro de bonecos possui uma verdadeira gama de possibilidades para sua execução, tanto na confecção dos bonecos como na concepção cênica. Quase tudo é válido.
O importante é ter em mente o espetáculo que se quer e o que cada boneco irá fazer no momento que estiver em cena. Para isso é necessário um estudo prévio de cada cena e de cada boneco.
Após essa análise, passa-se para a confecção dos bonecos propriamente dita, e aí existem outras inúmeras possibilidades para esse fim. A pesquisa mais uma vez é o ponto de partida para saber se aquele material irá dar ao títere a textura, a forma, a característica e o movimento que se deseja.
Há muitas maneiras de se construir um boneco. Na internet há vários vídeos que estão à disposição e que ensinam diferentes formas de construí-los no todo ou em partes.
Sugiro aos interessados que façam uma busca usando palavras chaves em outros idiomas como o inglês (puppets), o espanhol (títeres), ou o português europeu (marioneta). Há bastante coisa para ver.
Estudar cada técnica de manipulação (sombras, balcão, luva...) e entender seu mecanismo é uma necessidade primordial que vai ajudar inclusive na escolha do texto. Uma técnica e um texto que não combinam podem resultar numa grande dificuldade.
Vale ressaltar que a manipulação dos bonecos também necessita de algumas horas de exercícios. Para um bom resultado cênico é preciso dedicar tempo para conhecer o boneco que se irá manipular antes de levá-lo à cena. Estudar o que é possível fazer com ele, as suas articulações e suas limitações pode tornar mais fácil o trabalho de movimentá-lo no palco.
O boneco deve ser a resposta do ator diante do ímpeto da representação. É a exteriorização dos seus movimentos e reações. Ele, o ator, deve lembrar disso sempre, em todos os momentos que estiver em cena, para animar com verdade o títere que vai manipular.
Dizemos que o ator/manipulador precisa exaurir possibilidades técnicas para que possa, uma vez em cena, esquecer da técnica para se dedicar completamente à representação.
Uma vez elaborados os bonecos e com os estudos a pleno vapor é hora de cuidar de todo o resto.
A cenografia, os figurinos e a iluminação precisam estar a favor de dois tópicos: a história e a manipulação. Eles precisam ser criados para ajudar, como boas engrenagens, na representação do espetáculo.
Cada técnica de manipulação pede um tipo de cenário e os bonecos, por conseguinte, pedem roupas e adereços que não os privem de seu desempenho cênico (exatamente como os atores de carne e osso) e mais uma vez o estudo prévio pode poupar muito esforço desnecessário.